Dorsal Atlântica fala sobre o novo álbum e anuncia novo baterista
“Canudos”, o novo álbum da lendária banda Dorsal Atlântica, passou pelo processo de mixagem no fim do mês de junho. O vocalista/guitarrista Carlos Lopes comentou recentemente a respeito da produção: “Mesmo tendo em mente o que queria desde o início, e com as composições definidas, todo e qualquer disco adquire a cara durante o processo de feitura, que se estende pela mixagem e masterização, e mais decisões nascem a seguir. Todos os discos que criei são biográficos, fotografias e sessões de análise. Exponho o que vejo, sinto e concluo sem piedade nem para comigo, nem com os ouvintes. Sou artista, sempre fui e creio que não deixarei de ser até o desencarne”. Não estou nessa para receber aplausos, e nem para alimentar podres poderes. Só posso responder por mim e por mais ninguém. Cada um é um universo, assim como eu. Os quadrinhos da Dorsal são exposições de sonhos e fraturas assim como ‘Canudos’. E neste momento, não estou decepcionado com o país e nem com as pessoas, porque aí seria eu contra o mundo. Estou cansado de tanta babaquice. Mas graças a Deus ainda temos o céu, o mar, o ar, o sol, a lua, os animais, e o amor. Não trago ódio no coração, mas luto pelo meu pedaço de terra como os Canudenses fizeram até a morte. Não importam os vencedores, não importa que você seja único, o último. Apenas faça, apenas seja!”.
Além disso, a Dorsal Atlântica anunciou Américo Mortágua como o seu mais novo baterista, o qual participou do processo de gravação do álbum “Canudos”. “Decidi gravar o disco com meu antigo companheiro das bandas Mustang e Usina, o baterista Américo Mortágua, mais adequado a este trabalho”, afirma Carlos.
Ainda sobre “Canudos”, o músico declara: “Não houve ensaios. O resultado é um ato de fé, um sacerdócio à arte. A força dos Canudenses precisava ser a minha. Dediquei-me a impregnar o disco de emoção, até mesmo como homenagem a minha mãe nordestina. Sem rusticidade não haveria como falar sobre o sertão. Gravei as guitarras para que soassem como berimbaus, como chicotes, por assim dizer. Acordes abertos, harmônicos, vocalizações, sons graves, e peles porosas. ‘Canudos’ é o rompimento com a estética globalizada ‘global Metal’, por assim dizer. Não me interessa fazer parte do mundo, me interessa o Saci, o Curupira, e o Boto Rosa. Quanto mais agressividade adicionava à estética, mais refinamento contrabalançava o peso. Se o disco é Brasil com Suassuna, Baden e Vinicius, também é o coração do menino nos anos 70 que ouvia Beatles, Queen, Thin Lizzy, The Clash e Sex Pistols. Convoquem os amigos a apoiarem a campanha financeiramente na página do site Cartarse. Os fãs, o público, são fundamentais para fortalecer e tornar viável este disco da Dorsal Atlântica. Melhor dizer que não seja apenas mais um disco, mas o melhor e o mais brasileiro de todos os nossos trabalhos”.
A campanha para financiamento de “Canudos” não chegou ao final, apesar de o disco já estar sendo gravado. O apoiador da campanha terá o seu nome impresso no encarte e receberá o CD em primeira mão. Para participar clique aqui.
O ‘track list’ de “Canudos” é o seguinte:
1. Canudos
2. Belo Monte
3. Não temos nada a temer
4. O minuto antes da batalha
5. Carpideiras
6. A Conselheira
7. Sonho Acabado
8. Cocorobó
9. Araçá do Peito Azul de Lear
10. Gravata Vermelha
11. Liberdade
12. Favela
13. Ordem e Progresso