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Reviews Shows

ALTERA O
TAMANHO DA LETRA
 

Recife Metal Law - O seu portal de informação!

 

Abril Pro Rock 2014 – 2º dia

Evento: Abril Pro Rock 2014 – 2º dia
Data: 26/04/2014
Local: Chevrolet Hall. Olinda/PE.
Bandas:
- Dune Hill (Hard Rock – PE)
- Monster Coyote (Stoner Metal – RN)
- Krow (Death Metal – MG)
- Desalma part. Bongar (Grind/Death Metal – PE)
- Conquest for Death (Hardcore – EUA)
- Olho Seco (Punk Rock – SP)
- Mukeka di Rato (Hardcore – ES)
- Hibria (Heavy Metal – RS)
- Chakal (Thrash Metal – MG)
- Havok (Thrash Metal – EUA)
- Kataklysm (Death Metal – Canadá)
- Obituary (Death Metal – EUA)

Resenha e fotos: Valterlir Mendes

ABRIL PRO ROCK
O Abril Pro Rock, agora em 2014, chegou a sua 22ª edição e mencionar que esse é o festival de maior longevidade no Brasil é desnecessário. Porém o seu início não era direcionado aos estilos mais pesados, obviamente estou falando do Heavy Metal e seus subestilos, algo que foi sendo incorporado ao festival aos poucos, mostrando ter sido uma escolha acertada.

A NOITE DE PESO
O dia, conhecido como a “Noite dos Camisas Pretas”, é um dos mais esperados, anualmente, e o anúncio das bandas que farão o ‘cast’ sempre traz certa expectativa por parte dos headbangers e curiosos pelo estilo. O bom número do público todos os anos comprova bem esse fato.

LOCALIZAÇÃO E PREÇOS
Como já vem ocorrendo há anos, o Chevrolet Hall abrigou o Abril Pro Rock novamente e, apesar da acústica do local por vezes atrapalhar, é uma boa escolha – com exceção dos preços exorbitantes das comidas, água e da horrível cerveja – já que é climatizado e mesmo assim dificilmente contém o calor, tendo uma boa área, inclusive com camarote, algo que raramente é usado pelos headbangers, que preferem o calor intenso das rodas de moshes e o empurra-empurra para que possa ver de perto todas as atrações.

Vale salientar a boa localização do Chevrolet Hall, que tem fácil acesso, o que ajuda bastante as diversas caravanas que chegam de todas as partes do Nordeste para prestigiar o evento. E não só do Nordeste, mas de muitas cidades do interior de Pernambuco. O público realmente faz questão de conferir o evento todos os anos. Como sempre digo, é um público diferente, não totalmente ‘antenado’ no que acontece no meio Heavy Metal, mas que, de fato, quer participar do Abril Pro Rock.

CREDENCIAMENTO
Como vem acontecendo nos últimos anos, o Recife Metal Law vem sendo credenciado para fazer a cobertura do festival. Quando chego ao local, poucos minutos do horário anunciado para ter início os shows, ainda não havia uma equipe para receber os veículos de imprensa. Felizmente não demorou para que a pessoa responsável chegasse para nos atender. Dessa vez nada de “apenas colocar para dentro” e a imprensa pôde receber pulseiras para a devida identificação, além de contar com um espaço para, querendo, fazer anotações ou até mesmo enviar as notícias sobre o que estava acontecendo em tempo real.

OS SHOWS
A maratona de shows, que inicialmente estava marcada para ter início as 18h20, sofreu um pequeno atraso de dez minutos. A banda que teve a responsabilidade de dar início as apresentações foi a pernambucana  Dune Hill, que vem divulgando seu álbum de estreia, o excelente “White Sand”. O show começou muito bem, apesar do pouco público. Som, de início, estava muito bom e deu para ouvir toda a malícia do Hard/Heavy Metal da banda em “Big Bang”. Já em “Seize the Day” notei que houve um aumento no volume e, assim, o instrumental não ficou tão bem definido, porém, mesmo com esse detalhe, deu para notar o efetivo peso da banda, além da boa ‘batalha’ entre as guitarras de André Pontes e Felipe Calado. No decorrer do ‘set’ foi possível notar a espontaneidade da Dune Hill em juntar o Hard Rock e o Heavy Metal de forma bem natural, algo bem comum nos anos 80. Ainda houve tempo para que houvesse a participação de Thiago Ramos nos vocais da música “Lamb of Gold”, os dividindo com Leonardo Trevas. Se bem que a participação não acrescentou muita coisa, afinal Leonardo se mostrou um vocalista eficiente, muito bom na sua função, com excelentes vocalizações. Como dito, o público ainda era pequeno e como forma de agitar os poucos presentes, a banda finalizou seu show com um cover de “Aces of Spades” do Motörhead. Completam a formação o baixista Pedro Maia e o baterista Otto Notaro. É Pernambuco sempre apresentando ótimas bandas, seja qual for o estilo.

Uma das vantagens (ou não) do Abril Pro Rock é o rigoroso cuidado com o tempo de cada banda e a preocupação em não haver intervalos entre uma banda e outra. Sendo assim, findado o primeiro show, as cortinas do palco ao lado já se abriram para que a banda potiguar Monster Coyote desse início a sua apresentação. A banda já chegou com tudo e sem rodeios, despejando “Dead Bravery” no público, que a essa altura já estava em número maior. Pena que esqueceram de liberar o microfone do vocalista Kalyl Lamarck (também baixista), o que fez com que a banda tivesse que reiniciar o show. Tirando esse pequeno detalhe, a banda fez um ‘set’ denso, forte, pesado e vibrante, com boa movimentação em palco. A banda faz um Stoner Metal sujo e agressivo, algo não comum ao estilo, mas que o Monster Coyote faz de forma que soa bem natural. O público recebeu a banda muito bem e agitou bastante, exceto um maluco que ficou no meio da galera, igual um poste, parecendo já ter tomado todas. E olha que era apenas a segunda banda. Voltando às músicas, “The Sheepherd Who Saves” mostra forte influência dos mestres Black Sabbath, principalmente nos riffs da guitarra de Amilton Jr.. Como era de se esperar, as bandas iniciais não tinham tanto tempo de show, mas o Monster Coyote aproveitou com maestria o seu tempo disponível e fez um ótimo show.

Mesmo o Chevrolet Hall sendo um lugar amplo, podia se ver os shows de praticamente qualquer parte do local, razão pela qual decidi dar uma volta para ver o stand e ver as atrações ‘extra-shows’ que estavam no local, mas quando ouvi a muralha de riffs emanada pelo KroW, a terceira atração da noite, corri para ver de perto essa verdadeira máquina de fazer Death Metal oriunda do ‘Triângulo Satânico Mineiro’. Na verdade o show começou com uma “Intro”, que logo foi seguida pela nova “Relentless Disease”, música que dá título ao EP da banda, lançado recentemente no formato virtual. O público mostrou que não conhecia a banda, e ficou apenas observando, de início, mas a partir de “Disease”, um verdadeiro tormento Death Metal, que carrega consigo doses cavalares de um agressivo Thrash Metal, o público começou a conhecer quem era o KroW. A partir de então, o público não ficou inerte e agitou sem parar. A banda não deixou por menos, e ‘açoitou’ um público sem qualquer piedade. O trio de cordas formado por Guilherme Miranda (guitarra), Cauê de Marinis (baixo) e Lucas “The Carcass” (guitarra) se mostrou coeso, com boas alternâncias entre os vocais principais de Guilherme e os secundários de Cauê e Lucas, sem esquecer a bateria demolidora de Jhoka Ribeiro. Contando com uma sonorização excelente, “Outbreak of a Maniac” e “Before the Ashes” foi algo que beirou o terror. Não sei o real motivo, mas após ter findado o seu show, a banda voltou para o bis, o encerrando de forma definitiva com o esporro “Slaughter of the Gods”. Excelente, sem mais.

Na sequência de shows sem qualquer interrupção (essa é a vantagem de se ter dois palcos com a mesma estrutura de sonorização), a banda pernambucana Desalma sobe ao palco para fazer o seu show. Vez ou outra tenho a oportunidade de ver shows dessa banda, que vem sempre acrescentando algo mais violento a sua sonoridade, a cada apresentação. Dessa vez não foi diferente e posso afirmar que a presença do vocalista Erick Dartelly acrescentou ainda mais insanidade ao som da banda. Na verdade insanidade deveria ser o sobrenome de Erick. O cara realmente tem uma presença forte de palco, além de vocais extremamente poderosos, que passeiam do gutural ao gritado. Em temas como “Fragmentos” e “Corpo Seco” é perceptível que o som da banda está com uma pegada mais Death/Grind, mas sem esquecer as raízes da banda, ou seja, com algo mais compassado, marcado e com certo groove. O poderio instrumental, a cargo de Mathias Severien (guitarra), Pedro Diniz (baixo) e Renato Corrêa (bateria e voz), foi incrível, fazendo uso de muita agressividade, porém sem perder as características iniciais da banda. As afinações mais baixas ainda aparecem, porém em menor escala. Houve a informação de que o Desalma faria o seu show com a participação da banda de percussão Bongar, mas cheguei a pensar que isso não ocorreria, já que o ‘set’ foi sendo feito e nada da participação especial aparecer, algo que só aconteceu quase no fim, quando executaram “Onze” e “Gira”. Tal participação lembrou muito o que o Sepultura já fez, com a junção de guitarras distorcidas e percussão. O público olhou, alguns gostaram, outros tantos não e o Desalma fez um bom show. Mas devo dizer que gostei mais da parte sem o grupo de percussão.

Sem tempo para respirar, no outro palco, segundos após a finalização do show do Desalma, a banda ‘mundial’ Conquest For Death deu início ao seu show, com o vocalista Waj Lemac saudando ao público num português quase fluente. Apesar das poucas palavras, o vocalista mostrou que procurou saber algo do nosso idioma. Com relação à sonorização, estranhamente ela não estava muito boa no show do Conquest For Death, com as guitarras bem saturadas. Eu não sei se foi algo com a parte instrumental da banda ou se com a própria sonorização. Devo confessar que não conheço praticamente nada da banda, apesar de já tê-la vista ao vivo em Natal, em 2011, no Festival DoSol. Mas os amantes do Hardcore não tiveram do que reclamar, em face de tanta desgraceira sonora que a banda soltou. Nada de ficar apenas em um local do palco e até mesmo um dos guitarristas, um pequenino, que parecia uma criança, agitava sem parar, além, claro do próprio Waj, que incitava bastante o público. E tome rodas e mais rodas de moshes. Apesar da sonorização não está muito boa, o Conquest For Death fez um show que deixou a todos satisfeitos, afinal agitou do início ao fim.

A Conquest For Death, sendo uma banda recente, agitou bastante, mas imagine que no palco ao lado teria início o show de uma das maiores bandas do Punk/Hardcore nacional: Olho Seco. Alguém ficaria parado? Como seriam as rodas de pogo agora? Só o Abril Pro Rock para proporcionar certas felicidades. Poder ver essa lenda do Punk nacional bem de perto foi fantástico. Fábio, apesar de não ser mais aquele moleque magrelo, continua com a voz intacta e a banda continua a executar as músicas como trinta anos atrás! Com uma pegada instigante, o público sentiu a potência do Olho Seco em temas como “Caminho Suicida”, “Lutar, Matar”, as seminais “Botas, Fuzis e Capacetes” e “Haverá Futuro”, além da ótima “Castidade”. Foi Punk/Hardcore sem firulas. Cru, direto, rápido e que instigou do início ao fim. Acho que foi um dos shows onde as rodas se formaram em maior proporção. O vocalista Fábio agradeceu ao público da seguinte forma: “Se não fosse vocês, se não fosse esse público, o Olho Seco não mais existiria”. É, realmente ver um público enorme daquele, agitando sem parar, é para realmente não querer parar de tocar nunca. O ‘set list’ foi baseado em músicas lendárias, do início de carreira histórica do Olho Seco, e esse foi um fator que contou a favor da banda. Fábio ainda chegou a jogar alguns brindes para o público, mas bem que no stand de materiais da banda poderia ter algum disco da banda, não apenas arquivos em MP3 ou algo parecido. Mesmo assim, foi ótimo poder ver um show impecável dessa lenda viva do Punk nacional.

A velocidade com que terminava um show e começava o outro estava quase que inacreditável. Quando terminou o show do Olho Seco e teve início o show do Mukeka Di Rato, praticamente ficaram emendados. Acho que não chegou a ter dez segundos de intervalo! O público logo partiu da frente de um palco para outro, para continuar com a “sessão Hardcore” do festival. A banda pratica um som mais agressivo do que o Olho Seco, porém sem o mesmo carisma. Mesmo assim fez um show correto e que manteve o público instigado e agitando bastante (esse público do Abril Pro Rock realmente não para de agitar e acho que teve gente ali que agitou do primeiro ao último show. Haja resistência!). A sonoridade da banda, como já mencionado, é o Hardcore, com variações nos vocais, divididas entre o vocalista principal, o baixista e o guitarrista, o que cria uma maior dinâmica para as músicas.

Como não havia qualquer tipo de intervalo entre um show e outro, tive que sair um pouco da frente do palco e dar uma volta no local, para ver os stands e encontrar alguns amigos, além de tomar uma água e comer algo (nada em demasia, pois os preços não deixavam). Mesmo assim eu conseguia ver e ouvir o show com facilidade, assim como também podia ver que a maratona de shows já começava a fazer algum ‘estrago’. Já estava vendo que muitas pessoas mal conseguiam ficar de pé e procuravam algum local para sentar ou até mesmo deitar e dormir. Acho que alguns só acordaram quando os shows terminaram. A maratona de shows aliada à bebedeira, e outras coisas mais, sempre dá nisso.

Voltando aos shows, a próxima banda era uma das mais esperadas da noite e que mais vem ganhando reconhecimento, principalmente fora do Brasil. O Hibria pela primeira vez estava tocando em Pernambuco (e pela segunda vez no Nordeste) e deu para perceber que grande parcela do público fez questão de se espremer e ver de perto a banda. Com um som perfeito, onde tudo era ouvido com uma qualidade incrível, principalmente os fortes vocais de Iuri Sanson, o Hibria apresentou seu Power Metal para um público que Iuri soube conduzir com maestria. Bem à vontade em palco, a banda mostrou grande técnica, além de forte carisma e ‘feeling’ nas músicas. Divulgando seu mais recente álbum, “Silent Revenge”, a sua faixa-título foi a responsável por dar início ao show. Um show sem oscilações e com Iuri se mostrando um ‘frontman’ de alto nível. O vocalista soube conversar com o público e o manter na palma da mão durante toda a apresentação da banda. Em certo momento, o pessoal chegou a se agachar para depois pular junto com a banda, se eu não me engane, na música “Silence Will Make You Suffer”, também do mais recente álbum. Mas não só de músicas do novo disco foi feito o ‘set list’ do Hibria, já que pudemos presenciar “Steel Lord on Wheels” e “Tiger Punch”, do primeiro e segundo álbuns, respectivamente. Na verdade, foi um ‘set’ curto, mas que a banda procurou alternar com músicas de toda a sua carreira. E mesmo sendo um show de uma banda de Power Metal, quem falou que o público ‘aliviou’? Claro que as famosas rodas de moshes se fizeram presentes. Iuri, Abel Camargo e Renato Osório (guitarras), Benhur Lima (baixo) e Eduardo Baldo (bateria), fizeram um show excelente! Ou seja, mais um show excelente na noite. Ah, o final veio com “Rock and Roll”, um cover do Led Zeppelin.

Eu mencionei sobre só o Abril Pro Rock proporcionar certas felicidades, e este ano o festival caprichou nas atrações. O que posso mencionar ao poder ouvir/ver os primeiros riffs de “Christ in Hell” do também lendário Chakal? Mesmo que de início a sonorização não tenha ajudado, esse detalhe não foi capaz de interferir no show da banda. Vladimir Korg, como sempre fez, mostrou que não é um simples vocalista, e ao seu vocal peculiar sempre acrescenta uma carga pesada de teatralidade, como pode ser observado na lendária “Jason Lives”, com direito a uma imensa bandeira (ou algo similar) com a imagem do vilão mais querido do cinema: Jason Voorhees. Mesmo com toda a história da banda e essa mesma banda mantendo intacta a sua forma de fazer Thrash Metal, com destaque para os grandiosos solos dos guitarristas André e Mark, o público demonstrou cansaço. Tanto é que Korg chegou a perguntar se o público estava cansado, colocando a “culpa” na banda anterior, Hibria. Mesmo assim o vocalista mencionou a satisfação em poder voltar à Pernambuco após mais de duas décadas, agradecendo ao produtor Paulo André Pires pela oportunidade de tocar no Abril Pro Rock. O fim veio com um cover para “Evil Dead”, do Death. Cover este que faz parte do ‘track list’ de “Demon King” (2004). Mesmo com as décadas de atividades, o Chakal mostra que ainda tem muito a oferecer. Show histórico!

Korg já havia mencionado sobre o cansaço do público e isso era bem notório ao poder andar pelo local do evento. Muita gente já estava literalmente apagada, deitada pelo chão ou mesmo cochilando sentada. Outros ainda aproveitaram locais com alguns pequenos colchões para ter um sono mais tranquilo. Mas ainda faltavam três atrações...

O Havok é uma das bandas da nova safra do Thrash Metal (na verdade, a banda e a safra já não são tão novas assim) e tinha por incumbência levantar o público que já não estava tão bem das pernas. A banda tocou no mesmo palco que o Hibria, porém, no começo, o som não estava tão bom, ao menos do local onde eu estava não conseguia ouvir com tanta nitidez. Então fui para perto do palco e, aí sim, ficou bem melhor. O Havok desempenha muito bem seu papel, no que se propõe a fazer. Devo mencionar que a banda soa bem melhor ao vivo do que em CD. A carga ‘old school’ se mostrou mais eficiente ao vivo do que em estúdio e mesmo com o público bem cansado, os moshes continuaram liberados, além de alguns típicos surfing crowd. Num ‘set list’ que abrangeu a carreira da banda, músicas como “From the Candle”, “Time is Up” e a violenta “Give me Liberty... Or Give me Death”, além de “Subversive Worms”, foram essenciais para que o público se mantivesse animado até o fim do show do Havok. Destaque para a dupla de guitarras formada por Reece Scrugs e David Sanchez, e para os vocais sempre agressivos desse último.

A penúltima banda da noite separou opiniões. Muitos gostaram do show da banda canadense Kataklysm, outros nem tanto. Certamente isso se dá em razão de a banda não fazer um som tão convencional e que não agrada aos ortodoxos, até mesmo pela carga de melodias que a banda apresenta em suas canções. Mas em temas como “Push the Venom” e “Like Animals”, o Kataklysm mostrou grande competência e doses cavalares de peso, numa interessante junção entre o Death e o Thrash Metal, além de partes tecnicamente bem construídas, daquelas para chamar o público a bater cabeça, como na citada “Like Animals”. Creio que a “carta na manga” da banda seja de, mesmo fazendo um som agressivo, não ficar apenas na velocidade e apresentar momentos mais lúcidos e até mesmo boas melodias, algo que não agrada aos mais ortodoxos. Mesmo com essa divisão de opiniões, a banda conseguiu reunir um bom número do público para conferir de perto sua apresentação, inclusive com as rodas de mosh ainda se formando em frente ao palco. Em alguns momentos o público mais olhava, prestava atenção, do que agitava. Talvez pela sonoridade da banda, talvez mesmo pelo cansaço. Em minha opinião, achei um bom show, apesar de não ser tão afeito a sonoridade do Kataklysm e cito como destaque o violento baterista Olivier Beaudoin, que entrou na banda recentemente.

Foi uma verdadeira maratona de shows e bem diferente dos anos anteriores, o público, mesmo com alguns dos presentes mal conseguindo ficar de pé, permaneceu até o fim, para ver a última banda. Não era para menos, afinal, Obituary é uma das entidades do Death Metal mundial, e seu estilo é facilmente reconhecido pelos fãs, seja da banda ou do próprio Death Metal. Lembro-me que ouvi a banda pela primeira vez em 1992, quando do lançamento de “The End Complete”, e sempre que ouvia os discos da banda ficava imaginando se algum dia eu iria poder vê-la ao vivo. Quando “Stinkupuss” começou a ser executada vi que aquele sonho distante havia se tornado realidade. E esse som foi apenas um num ‘set list’ recheado de clássicos. Vale ressaltar que essa nova passagem da banda pelo Brasil (e primeira pelo Nordeste, já que a banda também tocou em Salvador/BA) recebeu o título de “Classic Set-List Take Over Brazilian Tour”, por isso era de se esperar um ‘set’ realmente cheio de clássicos, o que realmente aconteceu. Como não se emocionar ao poder presenciar um ‘set’ baseado em álbuns como “Slowly We Rot” (1989), “Cause of Death” (1990) e “The End Complete” (1992)? E tome “Intoxicated”, “Bloodsoaked”, “Immortal Visions” e “Gates to Hell”, todas músicas presentes no álbum de estreia e de deixar qualquer um atônito. John Tardy mantém intactos seus vocais cavernosos/primitivos, uma das marcas registradas do Obituary. Por falar em marca registrada, foi incrível presenciar como em palco a banda soa fiel as suas gravações, com o seu Death Metal que mescla momentos de maior velocidade com andamentos doentios, cadenciados, que lembram o Doom Metal. Ao lado do guitarrista original, Trevor Peres, Kenny Andrews se mostrou bem à vontade no Obituary, executando com precisão os clássicos da banda. O baixista Terry Butler também não é da formação original do Obituary, mas só de ter passado por bandas como Death e Massacre, é mais que uma credencial para ser o responsável pelas cordas graves de qualquer lenda do Death Metal. Completa o ‘line up’ um dos fundadores do Obituary, o baterista Donald Tardy, irmão de John, e tão preciso como nos primórdios da banda. Mesmo com algumas músicas seguindo uma linha cadenciada, como sempre foi contumaz na discografia do Obituary, as partes mais velozes não deixaram de ser instigantes, inclusive com o público usando suas últimas forças para mais algumas rodas de moshes. Infelizmente até um início de briga teve numa dessas rodas, mas nada de maior gravidade, já que a turma do “deixa disso” apareceu para apaziguar os ânimos. O ‘set’ contou com muitas músicas da fase primordial do Obituary, entre elas “Choped in Half”, “Body Bag”, “Killing Time”, e a maravilhosa “I’m in Pain”, uma de minhas músicas preferidas do “The End Complete”, mas senti falta da não menos excelente “Till Death”. John não foi muito de interagir com o público, mesmo assim seu forte carisma falava por si só e sua forte presença de palco fez com que muitos voltassem ao passado, a um passado onde a banda começava a dar os seus primeiros passos para se tornar uma das maiores entidades do Death Metal na terra. O fim veio com a despedaçadora de corpos “Slowly We Rot” que “rapidamente nos fez se decompor”. Mais um show para a galeria de shows lendários em Pernambuco!

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Esse Abril Pro Rock, antes mesmo de ser realizado, já era considerado, por muitos, como o melhor de todos, afinal o dia dedicado ao “Peso” veio recheado de bandas que, do Hardcore ao Power Metal, agradou em cheio a grande parcela do público. Foram shows históricos! O ponto negativo fica por conta dos altos preços, principalmente da horrível cerveja vendida no local (vale mencionar que a produção não é responsável por essa parte) e pelo lixo que foi jogado pelo local. Em minhas andanças vi apenas um lixeiro no Chevrolet Hall.

Além dos shows, havia uma boa variedade de entretenimentos, com vários stands, de diversos tipos de produtos, e até mesmo alguns locais para que as pessoas mais cansadas pudessem descansar um pouco (que na verdade não eram muitos).

Apesar de o ‘cast’ ter sido excelente, muitos reclamaram do número excessivo de bandas, o que cansa bastante uma parcela do público, afinal tem aqueles que exageram na dose e nem sequer conseguem chegar à metade dos shows sem “apagar”.

Mas, no fim, a maioria (mais de sete mil pessoas) que esteve presente no Abril Pro Rock já espera a edição de 2015. Mas já deixo meu recado: vão ter que caprichar num ‘cast’ que supere o de 2014. O trabalho não vai ser nada fácil.
 
 
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