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Reviews Shows

ALTERA O
TAMANHO DA LETRA
 

Recife Metal Law - O seu portal de informação!

 

Abril Pro Rock 2015

Evento: Abril Pro Rock 2015
Data: 25/04/2015
Local: Chevrolet Hall. Olinda/PE
Bandas:
- Lepra (Grindcore – PE)
- Cätärro (Grindcore – RN)
- Hate Embrace (Death Metal – PE)
- Almah (Heavy Metal – SP)
- Gangrena Gasosa (Saravá Metal – RJ)
- Headhunter D.C. (Death Metal – BA)
- Project 46 (Metalcore – SP)
- Dead Fish (Punk Rock – ES)
- Ratos de Porão (Hardcore – SP)
- Câmbio Negro HC (Hardcore – PE)
- Coroner (Thrash Metal – Suíça)
- Marduk (Black Metal – Suécia)

Resenha: Valterlir Mendes e Bruno Tavares (Coroner)
Fotos: Valterlir Mendes, Fagner Figueiredo, Juarez Ventura e Marcos “Ironmaidenzinho” Antonio


Dizer que é tradição o Abril Pro Rock é “chover no molhado”; dizer que os fãs do festival (sim, fãs do festival, afinal tem muita gente que vai pro Abril Pro Rock em razão do festival e nem tanto pelas bandas) ficam contando os dias quando começa cada ano, esperando cada atração a ser confirmada, já foi dito por mim em outras resenhas. O certo é que o Abril Pro Rock, todos os anos, desde 1993, vem chamando cada vez mais atenção. O nome do festival é forte e a maioria das bandas brasileiras quer tocar no mesmo. Além disso, sempre se espera o anúncio de um ou dois grandes nomes ‘gringos’ no festival.

Este ano o festival contou com três dias, sendo que o sábado foi dedicado, como de costume, ao Heavy Metal, Hardcore, dentre outros estilos mais pesados. Apesar dos inúmeros shows que vêm ocorrendo em terras pernambucanas, alguns com nomes de médio porte, sempre se espera um grande público no festival, ainda mais com o triste anúncio do cancelamento do show do Judas Priest, que ocorreria no mesmo Chevrolet Hall.

Como eu estava com uns amigos na cidade de Carpina, pegamos um ônibus e fomos ao local do evento. Viagem tranquila, onde aproveitei para dar uns cochilos, afinal a noite seria longa, uma verdadeira maratona que tinha como premiação chegar inteiro até o último show. Quer queira, quer não, apesar de não haver praticamente intervalos entre as bandas, graças aos dois palcos, o grande número de banda acaba cansando o público. Algo que se pode ver ao final da edição deste ano do Abril Pro Rock. Deixemos isso para o final...

Chegando ao local já se via uma boa movimentação do público, grande parte com a caraterística camiseta preta, vinda dos mais diversos lugares, de Pernambuco ou de outros Estados do Nordeste. A fila para atender o pessoal da imprensa até que estava calma, então não demorei para entrar, até mesmo para ver como estava a organização no lado interno do recinto.

Não houve grandes alterações, com relação ao ano passado: dois palcos, cortinas pretas, diversos stands de merchandising, local para alimentação e bebidas (caríssimos, por sinal). O Chevrolet Hall é sempre um local aconchegante, espaçoso, com diversos banheiros e com diversas opções de diversão, para quem não quer se limitar apenas aos shows.

Antes dos shows ainda deu tempo de uma pequena entrevista para o Programa “PEsado - É lapada para todos os gostos”, do meu amigo Wilfrêd Gadelha, grande responsável pela divulgação do cenário Heavy Metal de Pernambuco, tendo, inclusive lançado o livro PEsado há cerca de um ano.

Com início previsto para as 18h20, o primeiro show só começou as 18h45. A banda responsável por dar o pontapé inicial no sábado foi a Lepra, bem conhecida do público local, mas que, a bem da verdade, eu nunca havia visto ao vivo. Apesar do público ainda ser pequeno, algo que sempre ocorre no início das apresentações, a banda não mostrou qualquer tipo de pudor e despejou nos presentes um Grindcore violento, direto, grosso e sem papas na língua. Em temas como “Hoje Tudo Acaba”, “V.T.N.C.” (nem precisa dizer o que quer dizer essas iniciais) e “Do Berço ao Apocalipse”, o trio formado por Ítalo (baixo/vocal), Raphaell (guitarra) e Marcelo (bateria), fez um show intenso, veloz, insano. A sonorização estava muito boa, o que ajudou bastante a Lepra, porém, do meio para o final do show o baixo ficou mais evidente, se sobressaindo sobre os demais instrumentos, algo bem nítido em “Emboscada”. A banda mostrou carisma e ainda jogou alguns CDs como brindes para o público que fez questão de entrar cedo e conferir o show da banda.

Sem muita demora, logo após o fim do show da primeira banda, o público já se dirigiu para frente do palco ao lado para conferir a próxima atração. Advinda do Rio Grande do Norte, a banda Cätärro não é tão conhecida, pelo menos do público pernambucano. Sendo assim, grande parte dos presentes, já em número maior, ficou sem entender qual “era a da banda”. Boa parte estranhou quando começaram a executar “Mundo Vazio”, pois era um tipo de emocore com vocais desafinados. Imaginem: emocore já não é bom e ainda mais com vocais desafinados... Mas eu pensei: “isso só pode ser brincadeira”. Então, quando soltam “Insônia” deu para notar que era realmente “tiração de sarro”, pois o que venho a seguir foi de um esporro sonoro sem precedentes. Grindcore elevado à enésima potência, com o vocalista Pedro fazendo um show à parte. O cara gritava temas como “Escutando Black Sabbath em dia de chuva” e “O ator Chuck Norris quis processar a banda. Cuzão!” de forma insana. Além disso, corria para um lado e outro, esperneava, se deitava no chão... Realmente insano e é o que se pode chamar de anti-música. Ah, sobre a primeira música, é um cover de Márcio Greyck, cantor que era bem conhecida na década de 1970. Se os caras do Cätärro são fãs do cantor, eu não sei, mas que deixou a todos desconcertados, isso sim!

Sem delongas, após o insano show anterior, o outro palco já estava devidamente pronto, e mais uma banda de Pernambuco o teria por 30 minutos. Fazia tempo que eu não via um show do Hate Embrace e estava ansioso para ver novamente a banda em ação, ainda mais após o lançamento do excelente “Sertão Saga”, disco que vem ganhando grande destaque na mídia especializada. Como não poderia deixar de ser, o show começou com a trilha incidental “1º ato”, que, assim como no CD, dá espaço para “Vidas Passadas”. Infelizmente o som não estava tão bom quanto na primeira banda, e isso atrapalhou bastante a audição do Death Metal técnico do Hate Embrace. Guitarra e vocal ficaram muito baixos e durante toda a apresentação apenas em algumas passagens é que melhorava. Porém deu para notar que a banda está muito bem, com George Queiroz – apesar da sonorização não ter ajudado – fazendo muito bem o papel de ‘frontman’. Além disso, ele conta com a ajuda dos ótimos backing vocals do baterista Ricardo Necrogod e do baixista Alexandre Cunha. Apesar de ainda estar em plena divulgação do novo álbum, inclusive tendo tocado ótimas músicas como “Revolta” e “Imponência”, a banda não deixou de fora bons temas do seu álbum de estreia, tais como “The Sovereing” e “Archaicreation”. Repito que a sonorização não ajudou (foi praticamente impossível ouvir os teclados de Tamyris Daksha e algumas linhas de guitarra de João Paulo), porém foi um bom show, ainda mais para quem gosta da sonoridade do Hate Embrace.

Saindo da esfera mais extrema do festival, a próxima atração seria o Almah, que tem um nome forte no cenário Heavy Metal nacional, até mesmo em razão de o seu vocalista ser o Edu Falaschi. Eu acho interessante essa mescla de estilos em um festival, porém achei que o Almah ficou um pouco deslocado, afinal era a única banda do estilo na noite. Mas isso não serviu para intimidar os músicos, que mostraram garra e uma técnica apurada. A sonoridade da banda vai do Heavy ao Prog Metal, com inserção, óbvio, de partes melódicas e até mesmo do Hard Rock. Apesar de usar alguns tons altos, Edu está contendo mais a sua voz, e até mesmo fazendo algo mais grave em algumas passagens, além de vocais tipicamente Hard Rock. Vale salientar que a banda usou bem a iluminação de palco, a qual criou um efeito bem legal no backdrop, além de ter instigado parte do público até o final. Deu para perceber que muitos estavam lá para ver o show da banda e, por isso, a agitação permaneceu até o fim do show. Muitos estranharam a ordem de apresentação, mas o próprio Edu informou que a banda ainda teria que viajar para um show no dia seguinte, e essa foi a razão de o Almah ser a quarta banda na ordem de apresentações.

Apesar do bom show anterior, ainda mais para os fãs do estilo, antes mesmo do final uma grande parte do público, já bem numeroso a essa altura, já se amontoava em frente ao outro palco. Não era para menos: Gangrena Gasosa era uma das bandas mais esperadas nessa edição do Abril Pro Rock. Com os cânticos de macumba, os músicos foram entrando no palco. O primeiro foi o baterista Exu Mirim, vestido apenas de sunga vermelha e com os característicos chifres de diabo, também vermelhos. E aos poucos todos estavam no palco. Zé Pelintra (Angelo Arede, ex-Dorsal Atlântica), com o seu tradicional terno branco e um verdadeiro “dono do terreiro” esbravejou “finalmente!”, mostrando o quanto a banda desejava tocar em Pernambuco (essa foi a primeira apresentação da banda no nordeste). E então começa o Saravá Metal! O público foi à loucura, com grandes rodas de moshes, do início ao fim e a banda mostrando que estava adorando tudo aquilo, fazendo um show sem erros, intenso, pesado, com seus batuques (destaque para os percussionistas Pomba Gira e Caboclo Sete Flechas), guitarras violentas, vocais intercalados e muita, muita pancadaria. É uma junção insana, pouco provável, mas o que o Gangrena Gasosa faz é algo a se tirar o chapéu. Hardcore, Candomblé, Death e Thrash Metal. Uma mistura explosiva! Não faltaram os velhos clássicos como “Surf Iemanjá”, “Kurimba Ruim”, “Se Deus é 10 Satanás é 666” e a fodona “Chuta que é Macumba”. Porém o que faltou mais foram adornos no palco e a famosa farofa com frango assado, para ser jogada no público. Será que a banda está ficando comportada? A julgar por esse show: de forma alguma! E prova disso foi uma música nova executada – “Vem Nariz” – e que estará presente no próximo álbum da banda. O fim veio com “Centro do Pica-Pau Amarelo” e o Gangrena Gasosa mostrou que sua sonoridade única tem muitos admiradores! Show irrepreensível!

Nada de intervalo, mas antes mesmo de o festival chegar a sua metade, já era fácil ver que alguns dos presentes apresentavam certo cansaço. Alguns pela viagem, outros pela bebedeira e muitos outros por causa dos dois juntos. E olha que essa bebedeira não foi necessariamente nas dependências do Chevrolet Hall, haja vista muitos beberem no lado de fora para evitar gastar com as bebidas de alto preço do local do festival.

Voltando aos shows, era chegada a hora de uma das mais importantes bandas do Death Metal nacional. O Headhunter D.C. tem certa ligação com Pernambuco, já que vez ou outra toca no Estado, mas dessa vez era algo especial, pois a banda não procurou esconder que era um grande sonho poder tocar no Abril Pro Rock. Bom para a banda, melhor ainda para o público, seja os admiradores de outrora dos “caçadores de cabeça”, seja de alguns que estavam vendo a banda ao vivo pela primeira vez. O lado ruim do show do Headhunter D.C. no festival foi em razão do pequeno tempo de apresentação, ainda mais para uma banda que tem quase trinta anos de história e lançamentos antológicos. Então a banda teve que fazer algo praticamente impossível: apresentar músicas mais importantes de sua história em cerca de meia hora de show. Após uma “Intro” e a banda em palco, de costas para o público, pudemos ouvir “Dawn of Heresy”, música presente no mais recente álbum da banda. A sonorização não estava 100%, mas soou bem equalizada, na medida do possível, e o ‘set’ dos baianos ajudou, já que as músicas apresentadas eram longas, porém com a cadência típica do Headhunter D.C., tais como “...And the Sky Turns to Black...” e “God’s Spreading Cancer...”. Porém houve espaço para as violentas (e clássicas) “Am I Crazy?” e “Death Vomit”, e foi nessa hora que o público, que se mostrou mais parado, observando apenas a banda, foi para o mosh pit. O lado ruim é que acabei me dando mal, apesar de estar fora do mosh, e fui acertado por um braço perdido, direto no nariz. Dor aguda, mas nada que me fizesse perder mais um grande show dessa lenda do Death Metal. O final veio com uma verdadeira ode ao Metal da Morte: “Hail the Metal of Death!”. Novamente o Headhunter D.C. mostrou um profissionalismo impressionante, e tem na figura de seu vocalista, Sérgio “Baloff” Borges, um carisma impressionante. Mais um show para a galeria dos inesquecíveis do Abril Pro Rock.

Mesmo sem intervalos entre shows, decidi sair um pouco de perto dos palcos para ver como estava o nariz, o qual não estava no lugar, porém, apesar da dor, não tinha ocorrido nada de mais grave.

Ao voltar, o Project46 já tinha dado início a sua apresentação e boa parte do público continuava na frente do palco. A banda tem uma sonoridade mais contemporânea, tipicamente Metalcore, e o vocalista Caio MacBeserra tem uma forte presença de palco, bem comunicativo e não parava um só instante durante a execução das músicas. Toda a banda cumpre bem o seu papel, e as músicas foram apresentadas de forma violenta, se alternando entre andamentos mais velozes e passagens extremamente cadenciadas e com afinação baixa. Os vocais iam do gutural, grave até gritos inexplicáveis. Assim como no show do ano passado, a banda mostrou ter um bom público em Pernambuco e região, já que conseguiu agitar bastante boa parte, com algumas rodas de mosh, além de muitos cantando algumas músicas, tais como “Desordem e Progresso” e “Foda-se (Se Depender de Nós)”, esta com o refrão cantado a plenos pulmões pelos fãs da banda. Também, como ocorreu no ano passado, a banda fez uma homenagem à Pernambuco, incidindo uma parte de uma música de Chico Science & Nação Zumbi e, nesse show, com a participação especial do guitarrista pernambucano Antonio Araújo (ex-ChaoSphere e atual Korzus), na música “Violência Gratuita”. E o guitarrista instigou ainda mais o público, já que colocou parte dele para fazer uma ‘wall of death’. Bom show, apesar de a banda fazer um som mais moderno.

Aproveitei o próximo show para dar uma volta no local, ver a movimentação. Foi bom poder ver alguns integrantes das bandas andando pelo local, atendendo ao pessoal para fotos, autógrafos.

O show em tela era o do Dead Fish. Eu já havia visto um show da banda, mas sua sonoridade nunca foi do meu agrado. Mas é certo que fizeram um show correto, com boa parte do público prestando atenção no Punk Rock da banda. Sim, Punk Rock, mas com vocais limpos demais pro meu gosto, algo que beira o Pop ou até mesmo lembrando algo de bandas emocore, apesar de a temática lírica nada ter a ver com choradeiras de perdas amorosas. Saliento que a sonorização, na hora do show do Dead Fish, estava ótima, e até mesmo a sonoridade da banda ajuda, pois é tocada de forma mais limpa. Apesar de o som não ser do meu agrado, o Dead Fish fez um show correto e com o público (parte dele) se divertindo bastante, e o isso é o mais importante.

O Hardcore ainda tinha mais representantes, mas dessa vez o baluarte do estilo no Brasil: Ratos de Porão. O show da banda é sempre sinônimo de muita diversão, rodas de moshes e pancadaria. Mas, dessa vez, achei o quarteto bem parado, ainda mais o agitador nato João Gordo. Mesmo assim, o público não parou, ainda mais que a banda começou seu show com a nova (e arrasa-quarteirão) “Conflito Violento”, logo seguida de “Viciado Digital”, ou seja, caos total! Mas a banda não ficou só em pancadarias, ainda mais que o disco novo tem temas como “Grande Bosta”, que é uma música mais cadenciada e trabalhada, algo que o Ratos de Porão vem fazendo vez ou outra, mas ainda prefiro músicas mais Hardcore, como “Prenúncio de Treta”, também presente no ‘set’ (e novo disco). Obviamente um show do Ratos de Porão não pode faltar clássicos como “Caos”, “Crucificados pelo Sistema”, “Beber até Morrer”, “Aids, Pop, Repressão”... São músicas que estão sempre presentes no ‘set’ da banda, mas que não cansam nunca. Pelo contrário: são elas que garantem a pancadaria em meio às rodas. João Gordo ainda aproveitou alguns intervalos para criticar o atual governo, para reforçar o que já estava em cima do palco, em forma de bandeira. Repito, é sempre um grande show. O Ratos de Porão é sempre preciso com seu Hardcore, mas dessa vez faltou algo. Faltou mais energia, tanto da banda, como do público.

Faltava apenas mais uma banda brasileira a se apresentar, e a honra ficou para a local Câmbio Negro HC, que voltou há pouco tempo e esse seria o show de comemoração ao seu disco “O Espelho dos Deuses”, lançado em 1989. Além do baterista Luiz Nino, único integrante da formação original, essa volta trouxe os irmãos Marco Antonio (guitarra) e Jean Duarte (baixo), ambos do Decomposed God, e o vocalista Ajax. Apesar de ser um show comemorativo, a banda, inicialmente, ficou um pouco “presa” em palco e, ainda por cima, encontrou um público totalmente esgotado (mesmo ainda faltando três shows). A insistência do vocalista Ajax, chamando o pessoal pra agitar surtiu efeito por algumas vezes, em algumas tímidas rodas de moshes. Porém boa parte do público preferiu observar o show do Câmbio Negro HC, alguns de mais longe outros mais pertos do palco. Mesmo assim, com o passar das músicas, a banda se soltou mais, e os velhos clássicos agradou em cheio aos saudosos, principalmente àqueles que viram os primeiros shows da banda.

O evento já estava chegando ao seu final, e essa responsabilidade ficou a cargo de duas bandas ‘gringas’...

A primeira foi o lendário Coroner, que fez história por praticar um Thrash Metal mais técnico tendo na guitarra o seu ponto forte. Mas foi justamente nesse instrumento que as coisas começaram a dar errado. O guitarrista Tommy T. Baron, desde o início da apresentação, demonstrou bastante irritação e alegava problemas técnicos. Os demais músicos apenas observavam e pareciam não saber o que acontecer. Como já dito anteriormente, a essas alturas uma parte do público já não aguentava mais e viu o show sentado nas escadarias presentes no Chevrolet Hall. Alguns outros apenas estavam jogados pelo chão, dormindo. Mas aqueles que foram ver o show dos suíços ficaram extremamente decepcionados com o ocorrido. Foi notório que os caras já entraram no palco meio sem graça; o guitarrista já estava puto e teve um momento em que o baixista Ron Royce perguntou (em alemão) se ele estava bem. Deu pau na guitarra, mas também pode ter sido algo de bastidores... Mesmo com todos esses problemas o guitarrista Tommy voltou e continuou a tocar, indo no microfone e informando (em inglês) que a banda teria mais sete músicas no ‘set’, porém, em razão de todo o ocorrido, só iriam tocar mais uma “porque aquilo ali estava uma bagunça”. No final das contas, as músicas tocadas foram “Internal Conflicts”, “Semtex Revolution”, “D.O.A”, “Divine Step”, “Golden Cashmere Sleeper” e, por fim, “Masked Jackal” (que da metade para o fim foi tocada sem a guitarra).

Para finalizar a edição deste ano a primeira banda de Black Metal a tocar no festival. O Marduk tem uma história de polêmicas e de dedicação incondicional ao estilo. A essa altura só quem realmente era fã da banda estava firme e forte, esperando o show. A sonorização, que já vinha causando problemas, no show do Marduk também não ajudou e isso, claro, deixou os integrantes irritados, mas não ao ponto de deixarem o palco. Por falar no palco, a iluminação não foi tão grande, ou seja, com poucas luzes, criando um clima mais tenebroso, o que se alinhava com a indumentária/vestimentas da banda, que não deixa de lado o corpse paint, tão típico em hordas do Black Metal. A banda destilou músicas de toda a sua carreira, mescladas a temas como “Frontschwein” e “The Blond Beast”, de seu mais recente álbum, “Frontschwein”. Eu percebi que a banda procurou inserir temas mais cadenciados e macabros, de andamentos cadenciados. Por vezes é que podíamos ver algo mais contundente e agressivo, o que fazia com que o público usasse o restante de suas forças para pequenas rodas, formadas perto do palco. Sendo assim, pudemos conferir execução de temas como “Slay The Nazarene”, “502”, “Cloven Hoof” e “The Black…”, essa advinda dos primórdios da banda, mais precisamente do álbum “Dark Endless” (1992). Apesar da maratona de shows e do cansaço perceptível de grande parte do público, além da debandada de outra parte, Morgan (guitarra), Devo (baixo), Mortuus (vocal) e Fredrik Widigs (bateria), fizeram um ótimo show, sem muita comunicação, mas com músicas que prenderam os cansados Metalheads que ficaram para ver a banda até o fim.

O Abril Pro Rock continua sendo um festival de grandes atrativos e todos os anos é bastante esperado. O público, a meu ver, foi menor do que o do ano passado, acho que girando entre quatro e cinco mil presentes. O maior problema foi mesmo com a sonorização. Na verdade, é algo que sempre cria problemas, devido à acústica do local, mas esse ano foi algo que passou dos limites, ao ponto de prejudicar em demasia algumas bandas e deixar bastante irritado o guitarrista do Coroner (se é que foi apenas isso). Mesmo assim os fãs do festival já aguardam o Abril Pro Rock 2016...
 
 
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